quinta-feira, dezembro 21, 2006

Passarinho



Tudo se foi rápido,
sobrou apenas rastros
entre dias ingratos,
e noites sem tratos.

Tudo se foi rápido,
os tempos não tem espaço,
os risos foram ultrapassados
julgados ao pleito
defendidos no peito.

Tudo se foi tão longe,
não há nada no ontem
que assume amanhã.

Senão o agora,
nesta mesma hora.

Já assemelham as lembranças
e tantas outras esperanças
na medida da coragem
aos atos sem ordenanças,
do que se foi e fará
os tantos e nossos
decorridos e próximos.

Amanhã já não virá
depois da próxima manhã,
do dia claro e da madrugada estranha.

Tudo se esvai.

(o dinheiro, a vontade, as palavras)

voa...voa........................Volátil !!!!

Então, o Natal 2006 apontou no calendário, o ano novo está apressado para ver o céu iluminado.
Por isso desejo a quem me entende tudo de bom que vem para a gente.

Coragem e verdade, luta e suor, sede e pote de água, amor e coração, vida e poesia!!!!!

Um ano inteiro cheio de invenções para você.

14 comentários:

Anônimo disse...

Calma!

Isso cheira a despedida...
Ainda faltam tantos dias pra terminar o ano...
Isso tudo aí que vc falou, pra nós.
Sempre pra nós.

B R E N A disse...

Amiga infinito, vc está virando minha poeta favorita! Tenho amado essa sua nova veia, viu?!
Muito bom mesmo!
Clap clap!
Bjos
ARRASAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!

Willians disse...

obrigado, além dessas coisas todas q se passam e formam nossa vida humana...felicidades a sua gente,recomendações minha a sua família.

Anônimo disse...

Tudo se esvai.

(o dinheiro, a vontade, as palavras)

Anônimo disse...

hoje fui bloqueado de mandar recados.
hoje fui censurado por dizer a verdade.
hoje fui afastado de poder estar ao lado
de quem ma afasta, censura e bloqueia.

e ainda assim, eu (ch)amo.

PHYLOS disse...

Bons textos, irreverencia. Eterna aprendiz? Somos todos afinal. Parabéns.

Anônimo disse...

mais uma pro caderno:


Cadeado não me parece rimar com coração
E quebrado fica o verso quando escrito por razão
A razão que nos regula em contratos, pelo estado
A prisão que nos segura pelos cantos, acuados

Cadeado não me parece rimar com coração.
Se fechado, tranca as portas do poema pra canção
E a canção não soa plena com o coração calado
O refrão não cola. Pena a sina de não ser cantado

Cadeado não me parece rimar com coração.
Aliado dos quadrados, não segura vulcão.
E a vazão do que ficar cada vez mais acumulado
Explosão trará. E então seremos ambos libertados.

Anônimo disse...

na página em branco que escrevo

as palavras nascem
crescem
multiplicam-se
falam
ferem
chocam
pecam
choram
chamam
excitam
escutam
apaziguam
apaixonam

na vida em branco que sobrevivo

o silêncio cala
entala
enlata
entulha
entreva
seca
mata

sinto e deixo: morro.

Anônimo disse...

suas palavras secaram?

Tiago disse...

vida é prosa phoda.

Anônimo disse...

poemanifesto dos afetos

pela manifestança da vida em todas as suas mininfestações [porque tudo que se manifesta deve ser manifestejado]

contra o medo: contra todo imenso medo séculos de medo que alimentam valores cristalizados criando a célula familiar ensimesmada sempre refratária ao outro sempre enfraquecendo sua semente de coragem por não ver nela lucro imediato garantias imediatas sossego imediato. contra o amor, contra todo amor que faz de um grupo de pessoas seja lá qual for seu laço um enlace para a guerra uma aliança isolada incapaz de participar de uma nova construção coletiva porque narcísica. [e viva o egoexcentrismo e a autofagia ritual]

pela coragem do encontro com o outro qualquer que seja esse outro contando que potencialize a vida a vida a vida a vida a vida.

contra a culpa: contra toda a ancestral culpa que nos imputam todos os fundamentalismos de direitas e esquerdas enrijecidas e invandem nosso centro máquinas de endurecimento e entulham de compromissos nosso desejo. contra todos os fascismos entranhados em igrejas usurpadoras de energia vital, prisões do pensamento, fomento de miséria material e simbólica. contra todos os fascismos encravados em militâncias suicidas islâmicas na leitura de suas bíblias e que aplicam a si mesmas chibatadas e impedem o mínimo prazer o riso a alegria a festa o fluxo da vida.

pela liberdade de escolher e fazer e da forma mais atrapalhada contando que cedendo a um impulso de vida de vida de vida de vida de vida. [com a contribuição bilionária de todos os erros]

com todas as vísceras, contra a razão hipertrofiada do patriarcado que há séculos ignora subestima submete toda diferença todo desencaixe tudo o que não cabe em sua planilha de orçamento a um pensamento de cimento armado. monstro panóptico sempre pronto a escarnecer da energia capaz de cooperar e vibrar junto sempre pronto a promover a disputa por cada palmo de qualquer que seja o espaço e expedir certificados para o inaceitável e intimidar aqueles que se encontram em desvantagem nos territórios do saber legitimado. contra, ingenuamente contra, como uma criança seria contra, como um palhaço se colocaria contra, como um cão se manifestaria contra, contra o jogo de retóricas vazias e cheias de promessas facilmente desmontáveis por crianças, palhaços e animais movimentando apenas olhos e caudas. [e viva o matriarcado de pindorama do século XXI]

pela palavra que surge inteira de nossos corpos fazendo vibrar nossos pensamentos preenchendo-os de vida de vida de vida de vida de vida. [porque a palavra é antes de tudo corporal]

contra todo o aparato político/econômico/midiático que sustenta a farsa do mundo capitalista e continua seu trabalho de lobotomia: terroristas travestidos de estadistas e vorazes capitalistas travestidos de homens de carne e sangue. sendo inócua nossa indignação contra a ganância e o profundo desprezo dos capitalistas pela vida, gritemos contra a burrice, a suprema burrice desses homens que explodem o planeta e ainda acham que sairão ilesos em seus helicópteros. contra o jogo bárbaro paranóico massacrante do capitalismo siderado globalizado em todas as suas instâncias. [a burrice está na mesa]

pela lucidez de enxergar onde é gestada a morte e manter vivo em nossas mentes e manter vivo em nossos corações o desejo de fortalecer a vida a vida a vida a vida a vida.

contra a depressão: contra a loucura quando ela se manifesta antiprodutiva destrutiva mortífera. contra a rendição de todas as forças que trazem em si a saúde e a alegria e a amizade e o espanto e a capacidade de se indignar frente às forças amordaçantes de uma civilização enferma. que suas potências não sucumbam perante disputas, invejas, egoísmos, vaidades, pequenas mesquinharias que se instalam em seus espaços nascentes entre seus próprios pares. é preciso respirar fundo não se paralizar no luto seguir adiante e fazer a louvação. fazer a louvação do que deve ser louvado. [e viva arthur bispo e estamira e todos os bichos de sete cabeças geniais, totais, celestiais]

louvemos as produções de vida que nos foram legadas por todos os suicidas. nestas páginas torquato está vivo e respira junto aos seus. [leve um homem e um boi ao matadouro]

pela poesia que se instala no cotidiano e irriga a existência de invenção e alimenta revoluções e não deixa que elas se enrijeçam e intensifica a vivência do tempo e inaugura novos espaços para a existência e lembra ao homem seus valores mais vitais. pela poesia capaz de realizar a mais alta potência da arte: a reinvenção da vida. [vontade de potência contra o ressentimento cristão castrador]

nestas páginas lygia hélio clarice caio waly [leminski] estão vivos. guattari e deleuze estão vivos e tantos outros que alimentam e alimentaram essa idéia e por ela respiraram e respiram e nela colocaram e estão colocando seu sopro de vida:

pela poesia utopia ativa no presente [e sobreviva no futuro]

pela revolução imanente [e permanente]

luciana tonelli [com interferências minhas]
este texto está no jornal dez faces, edição de novembro de 2006 e é dedicado a gregorio baremblitt


escrito por Makely

Anônimo disse...

concorda?
então assina embaixo.

Anônimo disse...

BLUE MONOSSILÁBICO


Se
eu

só,
tão

assim.

De
mim
não
vou
ter
dó,
enfim.

Nem
ré.
Nem
mí.
Nem
fá.
Sem sol.

No
breu.
me
vou.
Pois
lá,
no fim,

do
sim,
por
ti,
caí
de mim.

Um
tom
então
pra
mim
não há.

Pois

se
foi
da
voz
o ar

E

eu
sou.
E

serei.

E
os
meus
ais
não
vou
calar.

Até
que
tu(do)
de
mim
se
vá,

nos
nossos
sons,
eu
vou
morar

E
mais,
e
mais,
bem
mais
que
blue,

Vou
te
trazer.
pro
azul.

Amor.

Anônimo disse...

BLUE MONOSSILÁBICO


Se
eu

só,
tão

assim.

De
mim
não
vou
ter
dó,
enfim.

Nem
ré.
Nem
mí.
Nem
fá.
Sem sol.

No
breu.
me
vou.
Pois
lá,
no fim,

do
sim,
por
ti,
caí
de mim.

Um
tom
então
pra
mim
não há.

Pois

se
foi
da
voz
o ar

E

eu
sou.
E

serei.

E
os
meus
ais
não
vou
calar.

Até
que
tu(do)
de
mim
se
vá,

nos
nossos
sons,
eu
vou
morar

E
mais,
e
mais,
bem
mais
que
blue,

Vou
te
trazer.
pro
azul.

Amor.