Segunda-feira, Setembro 14, 2009

O bem o mal [tecnológico] e minha não isenção.


Quando a telecomunicação ainda era o absurdo da transmissão feita por sinais luminosos de raios lasers sob forma de códigos digitais que transfiguravam os sons do trim pro alô, o futuro já devia temer que o começo não fadigasse jamais nenhuma ousadia. Já estava sendo projetado o cruzamento de idéias dispostas pras novas invenções. Essa é a quebra dos paradigmas dos visionários. O telefone e seus aparelhos, o telégrafo, o rádio e suas transmissões por quilos de antenas, a televisão e todas oportunistas emissoras que predispunham às agências especializadas em comunicar, proliferar, difundir, manipular, persuadir e claro, a vender. Os negócios sempre foram cobiçados nesta via de mão-dupla, enviar e receber, para ganhar. A informação é bronze o espaço prata os meios que dissipam ouro. Para um bom receptor toda mensagem é dotada de interesses, desviado da boa fé e boas intenções de [des]informar ou transparecer em meras distrações. A chamada telemática rompeu e criou culturas, quando a comunicação à distância em cada dia engole mais a barreira do espaço exigindo de cada um uma capacidade quase que alegórica de encurtar o tempo e aumentar a produção. Num mundo capitalista tudo acontece na mira da visão do lucro, intenso! Todo este desenvolvimento tecnológico caracteriza-se para o montante das diversas mudanças do homem e da terra, que vai desde a cultura de massa à degradação da natureza. A tecnologia conseguiu praticar a idéia desta globalização, através das máquinas e o acesso à banda larga temos o mundo debaixo dos olhos e nas extremidades das mãos. A interação entre o real e o virtual, sua mobilidade e miniaturização, toda modernidade passa a ser mais intensa, tudo isso através da exploração de insumos da natureza, da liberação de gases nos ares e a despreocupação que distancia a perda dos ganhos. O avanço dos multi/meios visa a necessidade desta comunicação não apenas por textos, mas por imagens e sons, levando-nos a necessidade de acelerar o tempo versos ao que há de disponível, quando a era primitiva ultrapassava cada barreira, chegando ao desnível quadrado do Oceano circundado pelo sonho de atravessá-lo. Assim, percebemos que o desejo mais atraente do homem ainda é um tanto primitivo, a sensação de se superar. Porém, com esta extensão do ultrapassado e a ficção pela modernidade, a atração sensorial parte por uma fascinação não apenas linear, mas, multidimensional. Os encantos destas novas tecnologias têm vantagens e desvantagens, a praticidade de dissipar informações, pesquisar, explorar, comunicar devem ser utilizadas como um facilitador da interatividade, das novas tecnologias que beneficiam o bem-estar, a saúde, o sistema ambiental, e não como uma fatalidade para alienação do planeta, as doenças multifatoriais pelo esforço do trabalho, psicossomáticas e o niilismo cerebral como muito tenho presenciado. Porém, sei bem que esta minha conspiração vai além de um sentimento simplório que rema distante contra a capacidade técnica e de interesses por cifras grandes dos formidáveis majoritários engenheiros, petroleiros, cientistas, direitistas, e claro, dos bonzinhos capacitados e sádicos governos. É um desconforto, uma briga de cachorro grande que me resta só a razão de um idealismo falido e o consumo forçado assumido por uma triste hipocrisia. Assim, deixo somente o dito.

Sábado, Agosto 22, 2009

era eu


Um dia esquecei o que era decência. Um dia permiti desaprender. Um dia parei pra não ouvir. Um dia decidi pecar. Um dia envelheci. Um dia fingi ter medo. Um dia criei coragem. Um dia forcei a barra. Um dia fui duas. Um dia ceguei. Um dia separei o signo do objeto. Um dia fui a noite. Um dia me estranhei. Um dia inventei uma nota. Um dia alguém me cantou. Um dia me toquei. Um dia eu não não fui eu. Nos outros só inventei.





meu estímulo é vital
pra cumprir o final
de cada comprimento

Terça-feira, Junho 23, 2009

Infinitoooooooooooooooooooooo

Naquela noite

Cerrei meus dentes

Com cola de lágrima

Engolindo pedra de temor

Num baú de lembranças

A solidão em meu peito

Em soluço de lástima

Pra sempre quis a vida

Mas a vida quis expor cedo à ida

Largo minhas águas em lago

Que rolam e transbordam dor

Num paradoxo de urna e berço

Agora permaneço estática

Com olhos de águia e cauda de cometa

Vivenciando em tópicos tanta utopia

Olhando a janela de outro tempo

De quem me trouxe e foi adiante

Levado à brisa feito manhã

Na noite mais fria que já me existiu

Vento forte bateu na janela

Folhas de árvores caíram

Lá jazia a parte do que sinto

A outra parte disfarço e vivo

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Plétorax (coração) - Marcelo Sahea

"Fragmento da performance poética "Pletórax", de Marcelo Sahea, realizada em março de 2009 no Espaço Oi Futuro de Belo Horizonte-MG, dentro do projeto Oi Cabeça (com o músico Makely Ka)."

Quinta-feira, Abril 30, 2009

Arte Cibernética no Museu Inimá de Paula

Está rolando a exposição Arte Cibernética no Museu Inimá de Paula - de 16 de abril a 13 de junho. Com um acervo do Itaú Cultural a exposição traz instalações incríveis que explora arte e tecnologia com muita interação.

Não teve uma instalação que não deixou minhas pupilas dilatadas, densas, desordenadas e admiradas. Mas houve uma que me fascinou muito: Text Rain de Camille Utterback e Romy Achituv - a imagem do seu corpo é capturada e projetada em um telão onde a projeção é combinada com uma chuva de letras coloridas que respondem ao movimento do corpo de maneira que podemos "segurar" e “parar” no contorno de nossa silhueta ou de qualquer outro objeto que tenhamos em mãos. As letras formam versos de um poema sobre o corpo e a linguagem.


Soube pelo simpático curador geral do museu, Júlio Martins, que Camille é professora do curso de mestrado Interactive Telecommunications na NYU, um dos principais cursos de arte multimídia dos EUA. E uma das pioneiras no campo das instalações interativas, já realizou exposições no Museu de Arte Contemporânea de Nova York; no The American Museum of the Moving Image; no NTT Inter-Communication Center, em Tóquio; e na Ars Electronica, Áustria, entre outros. Romy Achituv é um artista israelense que vive e trabalha no Brooklyn, Nova York. Iniciou sua carreira artística como escultor, mas em seguida passou a explorar as novas possibilidades artísticas oferecidas pelas novas mídias.

Ta aí a minha dica pra quem estiver aqui em Belo Horizonte neste período!

Terça-feira, Abril 28, 2009

O retorno à razão - filme de Man Ray, 1923.

"La retour e la raison" é um filme do fotógrafo, pintor e anarquista norte-americano  Man Ray, realizado no ano de 1923. A música foi composta pelo pianista Donald Sosin.

Tenho medo dessas crianças...

Sexta-feira, Abril 24, 2009

não gosto
do caminho de casa
nem da causa
dos caminhos
conheço meu muro
de dentro pra fora
incomodo andar
mansinho
quebro e salto
ruínas no tempo
[preciso das ruínas]
corpo e alma
vivem pra brigar
mas quando morrem
viram céu e inferno
noutro lugar
um homem
desviado da própria sombra
foragido pelo medo
de se encontrar
quando o encontro
é um autoentendimento
na periferia do todo
no centro de tudo

ou no topo do nada

Segunda-feira, Março 23, 2009

Era



que

Era

aquela força na parede

onde os tics aos ataques correm mais

relógios se calam pro fim

isolam veemente meu tempo fugaz

que fim? há tanto recomeço

mas desaprendi a inventar desvios

os ponteiros não assobiam mais

cansaram, morreram antes da hora

descobriram o fim e a chegada

Era

voltas, revoltas, reviravoltas

uma vida sem sair do lugar

Quarta-feira, Março 18, 2009

Eu nasci ... [no começo do final de um poema]

Eu nasci
Para ver o poema do Nick Behr
E continuar a sentir felicidade
E a leveza que ele sentiu
De ter chegado até ali
Eu nasci
Para imaginar o sonho de
Acordar quando o sono
Começar a sonhar outra vez
Eu nasci
Para deixar o registro de uma noite
[ou tarde ou manhã ou...]
Que meus pais deixaram
Há 9 meses antes deu nascer
Eu nasci
Para brincar na rua
E contar pros meus filhos
Que brincadeira de rua um dia existiu
Eu nasci
Pra provar que a quantidade dos meus anos
Não correspondem
Com o tamanho da minha vida
Eu nasci
Para olhar a história do meu pai
Ver Beatles, Raul, Caetano antes de mim
Lá trás
E confirmar que a biografia dele
[a do meu pai]
Não, não morreu.
Eu nasci
Pra entender que tantas coisas
Não me bastam
Porque tantas coisas
Ainda não são tantas enquanto eu viver
Eu nasci
Pra inventar qualquer palavra
Que nunca ouvi nem tentei
Eu nasci
Pra desconstruir escolas
E provar que a razão
[como repetiu um dia Noel Rosa, salve Noel!]
Dá-se a quem tem
Ou então
Eu nasci
Só pra reinventar qualquer poema
Que me encantou numa tarde de domingo
Pra falar da minha vida
Como este aqui

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

[de galícia a nova galáxia]

passa
porte livre
e
inter atividade
sem posse
de propriedade
intelectual
com classe

Tipo Exportação. aqui.


Despista o suspiro da beleza doce. Palavra chave que era quase a porta do reino. E depois do alarme das nuvens, do temporal bruto e bravo, ele sabia trazer flores nas palavras. Bastava um significado pro instante e o instante pára. Quase toda ilusão onírica despedaçava em pingos; de tinta, de mel, de água. Aí que entendia toda visão – que também era a versão destas palavras – formada por minúsculos. Compreendido. Dentro do suspense da descoberta pensou pelo faro, e o perfume, feito por miúdos?  Era possível observar a linha feita por. Se diluísse responderia em frascos as lembranças. A recordação, em parte, vem pelo acaso que começa [ou termina] nas preliminares.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

a manhã ser

Quando o silêncio reclamar no escuro. Quando o sol estiver no quarto estágio do sono. Quando os roncos zunirem à mira do despercebido. Quando o relógio não mais distanciar os ponteiros. Se você se descobrir no vazio-branco mais discreto desta pausa, sentirá capaz de diminuir em um ponto, ou, em uma ponta. Nessa hora, quando a renúncia do mundo doer, revire a solidão pela aparência, abandone-a. Pegue seu ponto fraco e sua ponta fresca. Escreva um verso livre no vento. Solto como quem ousa despertar o bocejo. Acorde. Ali na frente há vida que espera. Como um abraço que chega de surpresa numa manhã.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Pronde? Num sei, uai!

..
que é trem?
aqui em Minas
qualquer coisa
que te arreda (...)

Maratona

quero me esquecer
no espaço
do meu transforme
e me lembrar
no passo
da minha largada
depois confiro
se não houver registro
morro sem correr

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Música do dia!

Rubi - Ai


Ai - Rubi
Composição: Tata Fernandes / Kléber Albuquerque

Deu meu coração de ficar dolorido
Arrasado num profundo pranto
Deu meu coração de falar esperanto
Na esperança de se compreendido

Deu meu coração equivocado
Deu de desbotar o colorido
Deu de sentir-se apagado
Desiluminado
Desacontecido

Deu meu coração de ficar abatido
De bater sem sentido
Meu coração surrado
Deu de arrancar o curativo
Deu de cutucar o machucado

Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
De um coração trespassado

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Enchente


As pedras maturadas
Rolavam em relâmpagos
Batendo de nuvem em nuvem
Uma descarga de privada
Eletricidade e desperdício
Terminavam em águas
Pelas enchentes deformadas
De gotas em esgotos
Dilúvios do amargo

Circuito pro caminho do mar

Domingo, Janeiro 25, 2009

'a poesia se realiza na escrita, mas poesia absoluta só se encontra na vida.'



Mahmoud Darwish





Mahmud Darwich ou Mahmoud Darwish (Al-Birweh, 1942 - Houston, 9 de agosto de 2008) foi um poeta e escritor árabe-israelense. Apesar de ter sido expulso de sua cidade natal em 1948, por forças israelenses, regressou no ano seguinte. entre 1961 e 1967, foi preso diversas vezes, até 1970 quando então passou a viver como refugiado até maio de 1996 quando seu retorno foi autorizado para comparecer a um funeral. Integrante da OLP se afastou da mesma em 1993 por discordar da posição da mesma diante dos Acordos de Oslo. Em suas obras a Palestina se tornou uma metáfora de "Paraíso perdido", nascimento e resurreição, além da angústia da tomada de posse e exílio. Fonte: Wikipédia


Confissão de um terrorista!
Mahmoud Darwich

Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista

Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista

Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista

Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries

Eles... mataram um terrorista!

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

Em tempos de cólera e um novo tempo de amor.


Chorei, não resisti. Ah, o amor...

Sábado, Janeiro 03, 2009

Além da lenda vive o Retta


A lém da lenda
existe um amor
que vive escondido
pra não morrer além

Então, este ultra-plus-X artista merece uma infinitaaaaaaaaaaa salva de palmas: felicidade a gente não brinca, é coisa séria. aliás, nem coisa é, já chega num tal de improviso que não tem sentido chamar de coisa. ô trem bão, viu. felicidade é cosquinha na alma. chega limpinho, faz os cantos da boca se abrirem somo se fossem frestas em festa [ô minha gente] por falar em festa hoje é dia, é dia de festa pro Retta. que faz cosquinha na gente, que abre as tais frestas e faz um dia todo dia. ops, mas hoje faz um dia e um ano, engraçado também estas coisas. falar de Retta é assim, uma felicidade sem "jesus tificar" nada. aí quem tá de fora quer dar cambalhota dentro e falar das belezas nas simples causas e cantar canções de humores santos e dançar de braços abertos com olhos fechados de qualquer jeito, sem abusos e usos, lambusando o corpo no ar. fazer ano é tirar outro, mas colocar a vida na desordem dos lugares. é sentir que nada vale se a gente não brincar. porque levar este tal sério na vida não nos leva em nenhum trem, não é? te amo, tião! então "leve um love leve". meu capricorniano de chifres maturados. xô te contar última coisa: é bom demais ser sem vergonha e despir um dia todinho só pra gente e dividir com os palhacinhos que assim chegarem. ó, tire aquela coragem mais estampada do seu guarda-medo e invente um quadro com as tintas mais inusitadas. acho que descobri que recursos ainda temos, e criatividade de sobra você tem, aí descobri também [vamos lá, tudo bem, foi com você] que é só a gente colocar ânimo que é igual alma nas artes que tudo se transforma em belo, belíssimo. hoje te desejo um bocado de luz, criatividade, coragem, muita SAÚDE, amor que sei que gosta mutchooooo e alegria de [rararararararaarara]. $$$$ todo mundo vai te desejar. o resto chega junto. Salute!!!!!!!! E beijinho beijinho, tchau tchau!!!! Feliz idade Retta, sempre Moço.

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Tudo demasiado de nada.

Vim buscar, buscar, vim. Achei uma fonte de poesia que foi inspirada pela falta. É assim mesmo que permanece, a poesia. Pela falta. Pela Pele. Apelando os tropeços. Felicidade e muita poesia sem peneira!!!!!!! Feliz doismilinlove.

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

CEGOLHO

a casa
mora dentro
da cara

a cara
mora fora
da vista

a vista
mora fora
do lugar

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

A quoi ça sert l'amour - Musica Edith Piaff

Terça-feira, Novembro 25, 2008

os homens são de ... e as mulheres de ...



vênus?
Eu tô
urano de amor.
Até que
a marte nos reparte,
eu vou!
.
.
..
. . . .

Sexta-feira, Novembro 14, 2008

OespeLHO

espelho
no
espaço
espalh
a
face
na
retina
enquadr
a
vista


Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Isso é poesianacrônica!!!!!



Segunda-feira, Outubro 27, 2008

Cage me transporta

Eu somos nós

Pós e re in ventos

Remessa engolida pedra a pedra

Sujeira de palavra aguda

Lanço como semente

Mas,

Nada muda.

Ciclo que alinha.

Silêncio: alto ruído

4’33” pra mudar

Varredura de sons nos cílios

Guardar-tudo-pra-dentro

, processo

Promessa sem corda e sem

Quando espasmos são

Após

Colocar-tudo-pra-fora

Ouvir os sentidos

Guardar a(u)dição