Naquela noite
Cerrei meus dentes
Com cola de lágrima
Engolindo pedra de temor
Num baú de lembranças
A solidão em meu peito
Em soluço de lástima
Pra sempre quis a vida
Mas a vida quis expor cedo à ida
Largo minhas águas em lago
Que rolam e transbordam dor
Num paradoxo de urna e berço
Agora permaneço estática
Com olhos de águia e cauda de cometa
Vivenciando em tópicos tanta utopia
Olhando a janela de outro tempo
De quem me trouxe e foi adiante
Levado à brisa feito manhã
Na noite mais fria que já me existiu
Vento forte bateu na janela
Folhas de árvores caíram
Lá jazia a parte do que sinto
A outra parte disfarço e vivo
















