terça-feira, dezembro 18, 2007

Todos os olhos


Que as divagações têm de ser curtas, todo mundo já sabe. Não fosse isso, ficaria aqui rondando pensamentos só pra filosofar sobre um ano turbinado e sob um ângulo de vista mais aplanado. Mas vou falar em prumo, juro!

Minha vista é embaçada, diagnostiquei ser míope há tempos, mas nunca pretendi usar óculos. Tenho medo de enxergar perfeito quando o desnuque não se vê, sente-se. O que é embalado chega a dar medo.

Soltei num poeminha sem vergonha outro dia (logo abaixo), desses que escapole a língua e fofoca a verdade, que gosto mesmo do que fica dentro e por isso fico mais por fora. Resumindo: gosto de sentir e pra isso é preciso garimpar.

Sentindo...

Não consigo compreender como existem pessoas que dão valor acima de tudo no que diz respeito a estereótipos. Não falo da beleza, porque sou amante de tudo que é lindo. Falo dos valores que essas dão aos objetos (e algumas pessoas, que são praticamente os objetos).

Pessoas que se perdem no contento de utensílios. Que enganam a felicidade a custa de qualquer “vantagem” ou ilusão. Sendo que felicidade só pode vir de dentro - dos sentidos. Aquela sensação plena e consistente. Que enche a caixa torácica de ar e suspende o pulmão pelas narinas e a boca. Sensação de inspiração, transpiração e respiração de monges. De só quando a gente sente bem com nosso eu é possível. Chama-se paz interior.

Sentindo mais...

Mas não, aproximando do natal e fazendo uma comparação alegórica, vejo que muitas pessoas parecem mesmo com árvore de natal, que só enfeita e não tem graça alguma. Precisam ser destaques em colunas sociais, fazer barulho com a estética, se jogar nas pistas de dança e ser felizes por um dia, digamos, por uma noite feliz e suicida. Geração balinha. Colore, faz feliz e só engana. Eu mesma já tomei algumas e sei bem o que rola. (Não tenho mais saco pra viver de enganos).

Sentindo mais e mais...

Percebi neste ano que as pessoas são gente e são agentes corruptos de si mesmos. Cheias de estampas, de cristais, de etiquetas, mas ausentes de sentidos. Os egoísmos perambulam os olhares e registram na testa todo interesse próprio e fajuto.

Sentindo mais, mais e mais...

Sendo míope, tive a oportunidade de sentir o olhar em desfoque e sentir os focos do olhar. Observei - senti - atenta a relação do outro com o outro. Os preceitos utilizados para separar e distinguir nichos de relações, do tipo amigos à parte, negócios ao todo e cordialidade de nada.

Só status, status e status sem estatuto humano pra defender o essencial, a sensibilidade e afins. Agora é possível entender que ser pragmático é mais fácil que ser sensível mesmo. Talvez eu nem concorde tanto ou talvez eu concordo em partes.

O fato correto é que os fatos comprovam qualquer mentira ou omissão. Que os fatos são a lógica das relações. Que os fatos são fatos e pronto.

O fato é que vivi um ano estranho, mas um ano que saltei grandes etapas pra me tornar mais adulta. Tornar adulta é bacana e necessário estar com os olhos bem abertos, pra enxergar! Pra não precisar sentir tanto e se enganar. Pra não sofrer tanto e ver(i)ficar.

Achei uma solução e vou viver em dissolução comigo. Meu exame de vista está marcado. Que venha 2008, estarei de olhos abertos, ocupados e enquadrados. Feliz!

6 comentários:

Lais Mouriê disse...

Espero que seu Ano de 2008 seja tão belo quanto suas palavras!

Bjos

Pedrinho...poesias... disse...

...vamos encerrando
enterrando o tempo
vendo MIOPIAMENTE
entre visões e Olhares...
Olhares apenas...
tem que ter por quê???!

*combinado...tudo em 2008!!!!!!!

Renato Villaça disse...

sempre tive problema de vista também.
só que o meu grau é tão alto que não pude me dar ao luxo de não enquadrar meus olhos.
e é tão ruim ter a vista enquadrada em duas janelas de cristal suspensar por uma armação de plástico que decidi usar lentes de contato.
agora enxergo relativamente bem sem óculos. mas tenho lentes que me ajudam a ver.
deixa esse negócio de visão enquadrada pra quem é quadrado. prefira sempre as lentes DE CONTATO.

bj.

Renato Villaça disse...

sempre tive problema de vista também.
só que o meu grau é tão alto que não pude me dar ao luxo de não enquadrar meus olhos.
e é tão ruim ter a vista enquadrada em duas janelas de cristal suspensar por uma armação de plástico que decidi usar lentes de contato.
agora enxergo relativamente bem sem óculos. mas tenho lentes que me ajudam a ver.
deixa esse negócio de visão enquadrada pra quem é quadrado. prefira sempre as lentes DE CONTATO.

bj.

Helio disse...

Que espetada na vaidade... digo: a vaidade exagerada e materialista, e antes que sobre uma alfinetada pra mim... quem não é vaidoso. Esses dias olhando para o espelho, percebi que o tempo vai passando, e meus pelos já estão grisalhos...
Cheguei mais perto do espelho, e olhei bem para dentro dos olhos, de repente vi minha alma espelhada em meus próprios olhos, e tem quem diga que os olhos são o espelho da alma.

Click.

Gabriele Fidalgo disse...

Gostei bastante, Dani!
Aliás, me identifiquei com alguns trechos.
Se 2007 lhe fez abri os olhos, espero que em 2008 passe a ver coisas mais bonitas.


Beijos