quinta-feira, janeiro 24, 2008

RECICLOnada

Quando ela morreu caiu de olhos abertos no limbo. Um estafermo. A amargura incumbiu em esverdear o imprevisto; se tornar mofo e exalar enxofre. Fora um pecado armar todo àquele monumento a não revesti-la de marfim. Virou víveres de larva. Seu império não ultrapassou em lástimas pelos cantos do jazigo. Nos bolsos felizes dos que ficaram. Na margem dos que perduraram. E na plenitude do cansaço. Sua tenaz pele (...) nem talha formol ou água congelada pudera cultivar. Que desperdício fizera a vida! Da liga que sobra, no dia do desossar, nem pau e pedra sobejou. O osso esfarelou. Os cabelos viraram ninho de cobra. O que restara para a reciclagem da invenção? Nada! Mas na esperança mais um pouco de investigação. E? Fora encontrada uma prótese. Era de silicone. Estava conservada. Só uns reajustes e pronto. Linda. Então que a socorrerem para o tratamento - estético.

3 comentários:

Lady Vania de Tróia disse...

Emociona-me essa linguagem que usas, contrariando em suas bases o padrão clássico de beleza estética em si...Sempre acertas com clareza e coerência ao articular tuas idéias em manisfestações líricas.No meu simples lêr-te, és retentora de uma linguagema a um só tempo Una e plural.
Celebro-te, querida!!!

SAMANTHA ABREU disse...

adorei.
essa mistura de palavras, essa tontura que dá...
adoro.


ps: eu não acredito que ainda não tinha vc 'linkada'.
Só eu mesmo...

yasmin disse...

absolutamente lindo.

yasmin