quarta-feira, abril 11, 2007


Tá! Eu poderia fazer toda introdução, mas prefiro ir direto no calo que me incomoda. Acho muito engraçado como as pessoas enxergam através das informações, instruções, academias, enciclopédias e blábláblá que adquirem ao longo da vida levando pro nariz como uma máxima competência, inteligência e excelência. Tudo bem, é ótimo, e para mim importantíssimo entender das coisas, do silogismo ao mistério do número 7, da metafísica ao encontro com deuses, da culinária típica ao estrangeiro, da liberdade sem moral no mundo moderno. Acho ótimo mergulhar no passado e compreender os casos pra contar e assimilar mais casos. Mas isso não basta e acho R-I-D-Í-C-U-L-O pessoa que utiliza toda base de conhecimento para se taxar culto, inteligente e melhor que o outro. Estes são os pseudos. Acho péssimo e de uma tristeza medíocre pessoas que gostam de se enganar, de ter um olhar superior porque tem uma história de vida incrivelmente histórica, porque tem mil carimbos no passaporte, porque tem mil línguas na ponta da cabeça. De que adianta tudo que sabe se nada que sabe se sabe por completo? De que adianta articular uma verdade se a verdade é uma aparência principalmente para estas pessoas? Verdade pra mim, pelo que sei, é a essência e essência não tem manual de instrução (costumo bater muito nesta tecla). Fico indignada quando vejo que a idéia plástica consegue muitas vezes ser mais autêntica que a idéia prática. Conhecer as coisas é reconhecer as coisas, porque tudo que vive está no alcance das mãos para serem moldadas e assim reconhecidas por própria essência. E tem gente que gosta de bancar o bom sacado, o bom da lógica, o bom da língua, da rima, da vida. Tem gente que por ter bagagem de vida perdem as malas e vivem por egos inflados e vazios. Não consigo conviver com gente assim, fico triste. Triste e brava. Porque estes esquecem ou não sabem que todos estão no mesmo movimento do planeta, que todo mundo gira junto e pra debaixo da terra é o lugar final que suporta esta carne podre que na verdade somos. Esquecem que comemos em pratos de porcelanas para um dia, os vermes nojentos, devorarem a gente sem talher algum. Não sou dona de nenhuma idéia e por isso idealizo meu ideal. Nos meus poucos e enooooormes anos de vida elásticos percebi mil formas de ver as coisas e a única maneira que vejo tudo engrenar do jeito justo que eu crio, é conseguir voltar os olhos para dentro dos próprios olhos e assim buscar a boa instrução (se é que existe).

10 comentários:

Anônimo disse...

Tem um filósofo francês contemporâneo que disse, e eu repito.
"Pra começar, tudo conhecer.
Começar a tudo esquecer."
Minha vida agora é quase isso, mas quase o contrário:
"Pra começar, tudo esquecer.
Recomeçar ao te reconhecer."
Suas palavras não são eruditas.
São sábias.

Camila disse...

bravo! concordo plenamente!

E.R.L. disse...

assinei.

Késia Maximiano disse...

Texto perfeito!!!!
E q as pessoas aprendam q essência é essencial!!!

Bjosss...
Blog como sempre lindo =)

Marden disse...

É isso Dani!
Grito surdos, mudos de cor...
E vamos juntos. Não nos afastemos muito... Vamos de mãos dadas.
Mesmo que fique esse engasgo visionário
Essa lágrima grossa, pesada, do tamanho da essência
Esse abismo entre a escravidão cardíaca das estrelas e essa fé em não sei quê que nos move
Esse banzo sideral

As palavras comovem, os exemplos arrastam mas... seus escritos fazem parar pra pensar.

forte abraço

almaimersa disse...

«... é conseguir voltar os olhos para dentro dos próprios olhos e assim...»

...ver a alma
sem princípio nem fim,
como um sonho, primeiro,
e depois ...

Partilho da gravidade do seu pensamento.

Marden disse...

http://outronome.blogspot.com

...depois dá uma passadinha lá! É n'ovo ainda mas, quero começar bem!

Abração

Luiza Lisboa disse...

Nossa, concordo muitão!!!
Tem muita gente aí que fala fala mas no fundo não tem naaada a dizer!
Beijos mil!!!

rebeca disse...

q saudades daqui!!!

passando apreciar e me atualizar!!

beijos

cimples jr disse...

Menina-mulher-menina-é:

Já é a segunda vez que leio este texto seu. Lembrei do A,b,c.. do G. Deleuze, acho que na letra "C" que ele fala de cultura...Ele fala sobre os "intelectuais" que acham que sabem de tudo, algo assim...No final de seu texto lembro de uma coisa que eu escrevi: "Somos organicos, vamos a procura da morte, apodrecemos como todos os outros, somos reflexos de nossas ações"...