segunda-feira, junho 30, 2008

Volare


Foto: Dani Morreale

Começar.
Que este barulho imóvel seja apenas uma intervenção na frente do aquecimento, mesmo lento. Que o silêncio mórbido seja apenas uma invenção por trás do calafrio, mesmo óbvio. Resultado: detalhe da solidão. Nas costuras do sábado. Remendado. Temerário. Temporário. Decisão aquém para ir além. Ontem, sexta-feira de esperança. Hoje, nem a voz de dentro alcança. A noite é feia é fria e desfeita. Nesta capital distraída. Lá longe, no monte de terra, gente unida e reserva de saudade. Saudade que mata no peito, tiroteio de abraço, escala entre dedos. Mãos, irmãs, mães e vozes. Alegria de família. Viva a fogueira e o fogo do meu São João. Viva a bebedeira. Salve minhas besteiras. Caminho na cabeça, caraminholas, coisa e tal. E talvez, um reviver de alegria nos “nossos” próximos amanhãs. Olha, você não entende a importância do passado, revolução de garganta, jovens exilados. Proibindo proibir. A recompensa que cobre essas manhãs. Na liberdade da expressão. Na expressão fora à repressão. Luta pela sobrevivência da poesia. É proibido proibir: falar, escrever, permitir e sentir. Olha, o escuro é lástima. Ser na seca acusa ausência de lágrimas. Boca vazia no cadáver das entranhas. O sangue em pó é solúvel pelo reagente saliva (sua, minha ou nossa? – pra ser tem de haver sangue. Líquido. Vermelho. Quente. No estado que circunde as emoções). Sou solvente dos medos. Sei que você tem medo. Meu medo tem mais medo de não acreditar. Diluindo... O que acredito teve um começo. E começou numa estação. Estar estão dentro da vida. Quando um milésimo de segundo resolveu arriscar. Eu ali, cheia de coragem. Cochichos no ouvido; dizendo: - vai, vai e Vai! Adiciona! Fui. Quando o vagão estacionou na estrada. Arrebentei a porta, a minha. Entrei sem bater. Arreganhei a porta, a sua. Rota de imagem e letra. Distorcidos feitos personagens. Virtual, realidade, virtualidade. Ânimo e risco. Entre dígitos frios, teve a hora de ouvir os tatos quentes. Antes via única. Agora mão dupla. Dois destinos. Trouxe e quis ir. Você buscou. Adicionou. Estava escrito (MAKTUB...)
nas sentenças dionisíacas. Pensa que o orgulho espanta a infelicidade? Não me interessa. Também não interessa o que os outros vão pensar. Esperei dias cheios de séculos. Aguardei noites de lua, cheia de luas (minguante, crescente, cheia e nova) na cabeça. Agora a pausa busca fôlego. Nova sentença, por sentimento do nosso consentimento. New face. Nova fase. Agora é pau ou pedra. Construção da obra, sem gambiarra na reconstrução. Resolver, constituir, habilitar. Quem? Resta saber. Eu aqui, você ali. Ou, eu em você e você em mim. Faltam duas madrugadas. Uma tarde inteira, de novo, vazia. Vou pro topo do mundo. Voar e dormir anestesiada. Último domingo. Segunda-feira é dia D.

De recomeçar.



4 comentários:

Alê disse...

encetar,sempre!
Belo texto!
Beijos

mary disse...

obrigada, obrigada, e obrigada.
só posso agradecer pelo privilégio de ler seu texto, pela sua coragem de continuar acreditando e pela coragem de continuar inspirando coragem.
soco no estômago.

Dolfo disse...

Bueno!

Helena de Oliveira disse...

''Ser na seca acusa ausência de lágrimas''

Essa vai para o livro.


maktub!